segunda-feira, 30 de abril de 2012

Satc - Começam hoje as inscrições para o vestibular vocacionado

A Faculdade Satc recebe a partir de hoje as inscrições para o vestibular vocacionado do 2º semestre de 2012. As inscrições devem ser realizadas através do site da faculdade e serão aceitas até o dia 15 de maio. O valor da taxa de inscrição é de R$ 20,00 e a prova será realizada no dia 20 de maio.


As vagas são para os cursos de Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica, Engenharia Química, Engenharia da Computação, Design Gráfico e Tecnologia em Manutenção Industrial. Parte das vagas é destinada a mineiros que atuem em carboníferas associadas ao Sindicato da Indústria de Extração de Carvão Mineral de SC (Siecesc).
Mais Informações podem ser obtidas através do site: http://portalsatc.com/vestibular

UFJF prorrogou o prazo de inscrição para o vestibular

A Universidade Federal de Juíz de Fora (UFJF) prorrogou o  prazo de inscrição para o vestibular em Governador Valadares. As inscrições serão recebidas até sexta-feira dia 04 de maio de 2012. O valor da taxa de inscrição é de R$ 110,00.

A UFJF em Governador Valadares oferece 375 vagas em nove cursos: medicina (50 vagas); odontologia (40); farmácia (40); fisioterapia (30); nutrição (40); direito (50); economia (50); administração (50); e ciências contábeis (25).

O vestibular será realizado em duas etapas. No dia 2 de junho, das 15 horas às 19 horas, os candidatos realizarão a prova objetiva. No dia 3 de junho, das 8 às 12 horas e das 15 às 19horas, serão realizadas as prova de discursivas das disciplinas relacionadas ao curso pretendido.

A lista dos aprovados será divulgada no dia 9 de julho, no site do vestibular.


Para fazer a inscrição ou obter mais informações, acesse o site: http://www.vestibular.ufjf.br/

Unioeste (PR) divulgou calendário para vestibular de Medicina em Beltrão

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) divulgou o calendário para o vestibular 2013 para o curso de Medicina no campus Francisco Beltrão. no sudoeste do estado. As inscrições começam no dia 30 de junho e serão abertas 30 vagas.

O curso de Medicina já existe em Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. Francisco Beltrão se torna a quinta cidade a ter faculdade de medicina no Paraná.
A primeira etapa para o concurso acontecerá dia 29 de julho próximo e a segunda etapa 30 de julho. As provas serão realizadas das 13h30 às 18 horas no Campus da Unipar de Francisco Beltrão.

As inscrições estarão abertas a partir do dia primeiro de junho de 2012 até o dia 4 de julho ás 17 horas, no site da Instituição. O pagamento do boleto poderá ser feito até dia 4 de julho somente na Caixa Econômica Federal e Casas Lotéricas.

Mais informações acesse a página de vestibular da universidade: www.unioeste.br/vestibular

PUC-MG está com inscrições abertas para os cursos à distância

A PUC-MG abriu as iscrições do processo seletivo do 2º semestre de 2012 para os seus cursos à distância. As inscrições serão recebidas até o dia 16 de maio e o processo seletivo poderá ser realizado por meio de prova, ou através da nota do  ENEM dos anos de 2009 a 2011. Para aqueles que optarem pela realização da prova, a taxa de inscrição é de R$ 35,00. Quem optar pela seleção através do ENEM terá o valor da taxa reduzido para R$ 20,00.

As inscrições devem ser feitas através do site www.pucminas.br. Nesse processo seletivo são oferecidas 100 vagas para o curso de Administração e 100 vagas para o curso de Ciências Contábeis.

A prova de redação será realizada no dia 16 de junho de 2012, das 14h00 às 15h30, nas cidades de Alfenas, Arcos, Belo Horizonte, Diamantina, Divinópolis, Guanhães, Juiz de Fora, Mariana, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Pirapora, Serro, Teófilo Otoni e Varginha (Minas Gerais) e Campinas, Ribeirão Preto e São João da Boa Vista (São Paulo). As informações sobre os locais de prova serão encaminhados pelos Correios até o dia 11 de junho.
Mais informações no site da universidade: www.pucminas.br






PUC-RIO abriu hoje as inscrições para o vestibular de 2ºsem/ 2012

A PUC-Rio abriu hoje as inscrições para o vestibular do 2º semestre de 2012. As inscrições serão recebidas até o dia 01 de junho e quem quiser participar do processo seletivo deverá se inscrever através do site da universidade e pagar uma taxa de R$ 120,00.

As provas serão realizadas no dia 01 de julho de 2012 e os candidatos ao curso de Teologia realizarão também uma prova específica no dia 02 de julho de 2012. Quem quiser cursar Ciência da Computação ou Sistemas de Informação deve se inscrever para o Núcleo Básico de Computação. A opção por um desses dois cursos será feita a partir do segundo semestre cursado.

Mais informações na página da universidade: www.puc-rio.br

Órgãos e fisiologia vegetal - Exercícios (Lista 1)

Reino Vegetal – Órgãos e fisiologia vegetal
Exercícios (Lista 1)


1.       (CESGRANRIO) Uma planta insetívora, cujas folhas se fecham quando tocadas por um inseto, realiza um movimento chamado:

a)      nastismo

b)     tropismo

c)       tactismo

d)      nutação

e)      trofismo


2.       (FUVEST) Um dos gases liberados por automóveis é o etileno. Esse gás poderá causar nas plantas:

a)      queda das folhas

b)     aumento da pilosidade das raízes

c)       retardamento da senescência foliar

d)      maior crescimento longitudinal dos ramos

e)      retardamento da degradação da clorofila



3.       (UEM-PR) São caules subterrâneos:

a)      Sarmento e rizoma

b)      Rizoma e colmo

c)       Tubérculo e sarmento

d)      Rizoma e bulbo

e)      Bulbo e haste

4.   (PUC-RS) O caule próprio das plantas a que denominamos árvores recebe o nome de:

a)   filocládio

b)     haste

c)      colmo

d)     cladódio

e)     tronco

5. (PUCCAMP-SP) : Movimentos de fechamento dos folíolos das mimosas (sensitivas), quando estimuladas pelo contato, constituem um caso de:


a)     Tropismo

b)     Trofismo

c)      Nastismo

d)     Tactismo

e)     Estiolamento

Respostas:
1.  A
2.  A
3.  D
4.  E
5.  C

Semente - Reino Vegetal

Semente
As plantas que têm flores também produzem sementes. A função das sementes é proteger e nutrir o embrião em sua primeira fase de vida, além de favorecer o espalhamento das plantas, quando levadas de um lugar a outro.


Simplificadamente, o processo ocorre da seguinte maneira:

·         Os grãos de pólen, que são produzidos pelo androceu, têm em seu interior os núcleos espermáticos, que são os gametas masculinos.

·         Após serem levados pelo vento, pela água da chuva ou por animais, como os insetos, as aves e os morcegos, os grãos de pólen chegam ao gineceu, ocorrendo a polinização.

·         Quando um grão de pólen penetra no gineceu, forma-se uma estrutura chamada tubo polínico, que permite que um núcleo espermático atinja uma oosfera – o gameta feminino presente no óvulo, que, por sua vez, fica no interior do ovário.

·         Da união do núcleo espermático com a oosfera, chamada fecundação, forma-se o zigoto.

·         O zigoto desenvolve-se, dando origem ao embrião, que será a nova planta; ao mesmo tempo o ovário também se desenvolve, acumulando água e substâncias nutritivas, transformando-se na semente.

Velocidade escalar média - Exercícios (Lista 1)

Velocidade escalar média
Exercícios (Lista 1)


1.       (UEL) Numa estrada, um automóvel passa pelo marco quilométrico 218 às dez horas e quinze minutos e pelo marco 236 às dez horas e meia. A velocidade média do automóvel entre estes pontos é, em km/h, de:

a)      100

b)      72

c)       64

d)      36

e)      18



2.       (FAFI-BH) Um atleta corre 100 m com velocidade de 40 m/s; a seguir corre 25 m com velocidade de 50 m/s ao longo de uma pista retilínea.

Durante este movimento, pode-se afirmar que a velocidade média do atleta é de, aproximadamente:

a)      90 m/s

b)      50 m/s

c)       45 m/s

d)      42 m/s



3.       (UERJ) A velocidade normal com que uma fita de vídeo passa pela cabeça de um gravador é de, aproximadamente,  33 m/s.

Assim, o comprimento de uma fita de 120 minutos de duração corresponde a cerca de:

a)      40 m

b)      80 m

c)       120 m

d)      240 m



4.       (VUNESP) Ao passar pelo marco “km 200” de uma rodovia, um motorista vê um anúncio com a inscrição: “ABASTECIMENTO E RESTAURANTE A 30 MINUTOS”. Considerando que esse posto de serviços  se encontra junto ao marco “km 245” dessa rodovia, pode-se concluir que o anunciante prevê, para os carros que trafegam nesse trecho, uma velocidade média, em km/h, de:

a)      80

b)       90

c)       100

d)      110

e)      120



5.       (UEL) Um carro percorreu a metade de uma estrada viajando a 30 km/h e a outra metade da estrada a 60 km/h. Sua velocidade média no percurso total foi, em km/h de:

a)      60

b)      54

c)       48

d)      40

e)      30


Respostas:
1.       B
2.       D
3.       D
4.       B
5.       D

Folhas - Reino Vegetal

Folhas: são os órgãos vegetais nos quais ocorrem: a fotossíntese (produção de glicose a partir de gás carbônico e água com a presença de clorofila e luz); a respiração (absorção de oxigênio e liberação de gás carbônico através de aberturas chamadas estômatos, presentes principalmente na parte inferior da folha); a sudação ou gutação (eliminação de água na forma de gotículas através de aberturas chamadas hidatódios, presentes nas bordas) e; a transpiração (eliminação de água na forma de vapor por meio dos estômatos ou da cutícula).


As folhas podem ser divididas de acordo com diferentes aspectos morfológicos. As distinções mais importantes são:

1.       A presença do pecíolo: neste caso as folhas podem ser pecioladas (com pecíolo ligando o limbo ao caule) ou não-pecioladas, invaginantes (sem pecíolo e com o limbo “abraçando” diretamente o caule).

2.       A forma das nervuras: neste caso, as folhas podem ser ramificadas (reticuladas) ou paralelinérveas.

Tipos de Caule - Reino Vegetal

Caule: é o órgão que faz a ligação da raiz com as demais partes da planta. Dentro do caule passam os vasos condutores de seiva.  Os caules podem respirar através de pequenas aberturas na casca chamadas lenticelas. Existem os caules aéreos, os subterrâneos e o aquático.

Veja abaixo quais são os tipos de caules, suas características e alguns exemplos de vegetais  nos quais esses tipos de caules aparecem:


Caules aéreos

Tronco: típico das plantas arbóreas (árvores), é muito resistente, podendo fornecer madeira e possui  ramificações (ramos, galhos).
Exemplos: pinheiro, macieira, eucalipto, laranjeira, mogno.

Estipe: também típico de árvores, porém menos resistente que os troncos sem galhos.
Exemplos: palmeiras e coqueiros.

Colmo: tem os nós muito evidentes e pode acumular substâncias nutritivas.
Exemplos: bambu, milho e cana-de-açúcar.


Haste: delicado e cresce ereto (em pé); é típico das plantas herbáceas (ervas, verduras).
Exemplos: erva-doce, agrião, hortelã, espinafre.

Cladódio: típico de plantas de regiões muito quentes, pode acumular água e suas folhas são transformadas em espinhos.
Exemplos: cacto, xique-xique, mandacaru.

Rastejante: muito delicado, cresce rastejando no solo.
Exemplos: abóbora, melancia, pepino.

Estolho: tipo de caule rastejante que pode formar novas raízes e folhas em espaços regulares.
Exemplo: morango.

Volúvel: muito delicado cresce se enrolando em suportes como cercas.
Exemplo: trepadeiras.

Sarmento: muito delicado e cresce “agarrando-se” em suportes por meio de estruturas em forma de “molinhas”, chamadas gavinhas.
Exemplos: videira (uva), chuchu, maracujá.


Caules subterrâneos

Tubérculo: acumula substâncias nutritivas, é muito semelhante às raízes tuberosas.
Exemplos: batata-inglesa ou batatinha.


Bulbo: também acumula substâncias nutritivas em folhas modificadas chamadas catafilos.
Exemplos: cebola, lírio, alho, tulipa.


Rizoma: cresce rente e paralelo ao solo soltando folhas para fora e para cima.
Exemplos: bananeira, samambaia.


Caule aquático

Aquático: geralmente muito delicado, cresce diretamente dentro da água e pode acumular gases de modo a flutuar.
Exemplo: vitória-régia.

Tipos de Raízes - Reino Vegetal

Na aula de hoje saberemos quais são os tipos de raízes, conheceremos suas características e veremos alguns exemplos de vegetais nos quais esses tipos de raízes aparecem.

Tipos de raízes

Axial ou pivotante: possui uma região principal mais desenvolvida e ramificações menores.

Exemplos: legumes como feijão, árvores frutíferas como o limoeiro, verduras como o alface.


Fasciculada ou cabeleira: possui várias ramificações iguais e não é possível distinguir um eixo principal.

Exemplos: milho, cana-de-açúcar, grama.

Tuberosa: variação de raiz axial onde o eixo principal ou as ramificações acumulam substâncias nutritivas.

Exemplos: cenoura, beterraba, batata-doce, nabo, rabanete.


Respiratória ou pneumatóforo: possui as estruturas respiratórias chamadas pneumatódios.

Exemplos: plantas dos mangues cuja água é pobre em oxigênio.
Sugadora ou haustório: penetra em outras plantas para sugar suas substâncias nutritivas.

Exemplos: plantas parasitas como a erva-de-passarinho e o cipó-chumbo.

Aquática: cresce diretamente na água.

Exemplo: aguapé.

Tabular: cresce se espalhando rente ao solo na parte externa, dando assim mais sustentação à planta.

Exemplos: figueira, seringueira.

Adventícea ou escora: cresce a partir do caule e dos ramos e penetra no solo; também aumentam a sustentação da planta..
Exemplos: bambu, plantas do mangue, onde o solo é muito movediço.

Estrutura Geológica e Relevo (Exercícios - Lista 2)

Estrutura Geológica e Relevo
(Exercícios - Lista 2)


1. (FMU) Considere as seguintes afirmações sobre o quadro geológico-geomorfológico brasileiro.
I - As chapadas são formas de relevo tabulares em estrutura cristalina.
II - As maiores altitudes do País estão nas áreas de escudos cristalinos.
III - Quanto à sua origem, os planaltos são sempre resultantes de processos de sedimentação.
IV - As planícies brasileiras são áreas sedimentares recentes.

Estão corretas apenas:
a) I e II
b) I e III
c) I e IV
d) II e IV
e) III e IV


2. (UECE) Sobre a origem da Terra e as bases geológicas do território brasileiro, é correto afirmar:

a) a era cenozóica caracteriza-se pelo aparecimento do homem, enquanto os escudos são datados da era pré-cambriana.
b) a era mesozóica registrou o aparecimento da vida nos oceanos, enquanto as cadeias de montanhas aparecem na era arquezóica.
c) a era azóica não registra vida alguma e as rochas magmáticas são da era paleozóica.
d) a era cenozóica registra vida recente, enquanto a extinção dos grandes répteis ocorre no quaternáio.


3. (UFMG) Leia o texto.
"Embora a evidência de deslocamentos laterais dos continentes fosse mais ou menos forte, a maioria dos geólogos resistiu, durante muito tempo, à ideia desses deslocamentos. Essa resistência era, em grande parte, ideológica, a julgar pela extraordinária ira da controvérsia contra o principal proponente da deriva continental, Alfred Wegener. De qualquer modo, o argumento de que esses deslocamentos não eram verdadeiros porque não se conhecia nenhum mecanismo geofísico para causar tais movimentos não era mais convincente a priori, em vista da evidência acima referida. Contudo, desde a década de 1960, o antes impensável tornou-se a ortodoxia da geologia do dia-a-dia: um globo de placas gigantescas mudando de lugar, às vezes, rapidamente (placas tectônicas)."
Adaptado de: HOBSBAWIN. E. Era dos extremos. O breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p. 530.

Todas as alternativas contêm afirmações que podem ser comprovadas pelo texto, EXCETO:
a) A teoria da deriva continental foi, por muito tempo, considerada inaceitável por se desconhecer o mecanismo geofísico que pudesse explicá-la.
b) A teoria das placas tectônicas é considerada, atualmente, a explicação mais aceitável e defensível sobre a posição das massas continentais e a configuração da litosfera.
c) As evidências de que as terras emersas se deslocavam lateralmente sugeriram a teoria segundo a qual a litosfera era formada por várias placas, em vez de uma única, imóvel sobre o manto.
d) O relato sobre a aceitação de uma nova teoria sugere que observações, embora inexplicáveis pelo conhecimento científico de uma época, são prontamente aceitas pelos cientistas.


4. (UECE) As águas oceânicas realizam um trabalho de destruição e construção do relevo. Indique a dinâmica correta deste movimento:

a) o trabalho destrutivo dos oceanos dá origem às praias, restingas, tômbolos e recifes.
b) o trabalho construtivo recebe o nome de abrasão e dá origem às falésias.
c) um dos trabalhos dos oceanos se faz na falésia, através do solapamento de sua base, em virtude da ação das ondas e decomposição das rochas.
d) a deposição de sedimento que o oceano realiza junto ao litoral, formando costas e acumulação e cordões dunares,  constitui um trabalho destrutivo oceânico.


5. (UECE) Aponte a característica que melhor identifica o relevo brasileiro:
a) apresenta predomínio de grandes altitudes, considerando possuir o território altitudes superiores a 1.000 m.
b) apresenta dobramentos modernos e está sujeito a movimentos tectônicos.
c) apresenta pequena variedade de formas, predominando os maciços residuais.
d) possui uma estrutura geológica velha, bastante erodida, portanto de altitudes modestas.


Respostas:
1. D
2. A
3. D
4. C
5. D

Estrutura Geológica e Relevo (Exercícios - Lista 1)

Estrutura Geológica e Relevo
(Exercícios - Lista 1)


1. (UEL) As grandes cadeias de montanhas, como os Alpes ou o Himalaia, tiveram origem:

a)  na era Mesozóica, quando da fragmentação do antigo continente de Godwana.
b) no pré-Cambriano, em virtude dos grandes falhamentos ocorridos na crosta terrestre.
c) no Paleozóico, quando os continentes começaram a tomar as formas atuais.
d) há mais de 190 milhões de anos, em consequência da movimentação do NIFE, a camada mais interna da Terra.
e) há mais de 60 milhões de anos, graças à movimentação das placas tectônicas.


2. (FMTM) No litoral brasileiro, os costões abruptos recebem o nome de:

a) barcanas.
b) restingas.
c) tômbolos.
d) falésias.
e) mamelões.


3. (UECE) Os lagos podem ter origens muito variadas. Aqueles que são oriundos do deslocamento de camadas da crosta terrestre e têm  maiores profundidades são de origem:

a) erosiva.
b) vulcânica.
c) barramento por acumulação de sediementos.
d) tectônica.


4. (UFAC) As planícies são formas de relevo e delas é possível dizer que:
I -  cobrem a maior parte do território brasileiro;
II - podem ocorrer também em áreas litorâneas;
III - são construídas pela ação deposicional dos rios;
IV - são também chamadas de Maciços Antigos.

Com base nas afirmações de I a IV, assinale a alternativa correta.
a) todas estão incorretas.
b) todas estão corretas..
c) apenas I e II estão corretas.
d) apenas II e III estão corretas.
e) apenas II e IV estão corretas.


5. (UFES) Identifique o fato geográfico que não está correto:

a) O planalto meridional brasileiro é formado pela Serra Geral, constituído por rochas arenítico-basálticas, e pela Serra do Espinhaço, modelada por rochas do complexo cristalino brasileiro.
b) As serras do Mar e da Mantiqueira fazem parte dos maciços cristalinos do sudeste brasileiro.
c) A Chapada Diamantina forma na Bahia o divisor de águas dos rios que drenam diretamente para o oceano Atlântico e daqueles que vão ter ao rio São Francisco pela margem direita.
d) O relevo da Amazônia é caracterizado pela planície e pelos planaltos periféricos à grande planície.
e) O relevo do Nordeste é marcado por dois grandes plainos sertanejos.


Respostas:
1. E
2. D
3. D
4. D
5. A

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pecador contrito aos pés de Cristo crucificado - Gregório de Matos

Pecador contrito aos pés de Cristo crucificado


Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade,
verdade é, meu Senhor, que hei delinquido,
delinquido vos tenho, e ofendido,
ofendido vos tem minha maldade.

Maldade, que encaminha a vaidade,
vaidade, que todo me há vencido,
vencido quero ver-me e arrependido,
arrependido a tanta enormidade.

Arrependido estou de coração,
de coração vos busco, dai-me abraços,
abraços, que me rendem vossa luz.

Luz, que claro me mostra a salvação,
a salvação pretendo em tais abraços,
misericórdia, amor, Jesus, Jesus!


Gregório de Matos. In Poesia barroca, São Paulo, Melhoramentos.

No dia de quarta-feira de cinzas - Gregório de Matos

No dia de quarta-feira de cinzas


Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te,
te lembra hoje Deus por sua igreja;
de pó te fez espelho, em que se veja
a vil matéria, de que quis formar-te.

Lembro-me Deus que és pó para humilhar-te,
e como o teu baixel sempre fraqueja
nos mares da vaidade, onde peleja,
te pões à vista a terrra, onde salvar-te.

Alerta, alerta, pois, que o vento berra.
Se assopra a vaidade e incha o pano,
na proa a terra tens, amaina e ferra.

Todo o lenho mortal, baixel humano,
se busca a salvação, tome hoje terra,
que a terra de hoje é a porta soberano.


Gregório de Matos. In Poesia barroca, São Paulo, Melhoramentos.

Aos afetos e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem - Gregório de Matos

Aos afetos e lágrimas derramadas na ausência da dama a quem queria bem


Ardor em firme Coração nascido;
pranto por belos olhos derramado;
incêndio em mares de água disfarçado;
rio de neve em fogo convertido:

tu, que em um peito abrasas escondido;
tu, que em um rosto corres desatado;
quando fogo, em cristais aprisionado;
quando cristal, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente,
se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois, para temperar a tirania,
como quis que aqui fosse a neve ardente,
permitiu parecesse a chama fria.


Gregório de Matos. In Walmir Ayala, Poetas brasileiros da fase colonial, Rio de Janeiro, Tecnoprint.

Buscando a Cristo - Gregório de Matos

Buscando a Cristo


A vós correndo vou, braços sagrados,
Nessa cruz sacrossanta descobertos,
Que, para receber-me, estais abertos,
E, por não castigar-me, estais cravados.

A vós, divinos olhos, eclipsados
De tanto sangue e lágrimas cobertos,
Pois, para perdoar-me, estais despertos,
E, por não condenar-me, estais fechados.

A vós, pregados pés, por não deixar-me,
A vós, sangue vertido, para ungir-me,
A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.

A vós, lado patente, quero unir-me,
A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
Para ficar unido, ataddo e firme.


Gregório de Matos, in Poesia barroca, São Paulo, Melhoramentos.

Em Deus, meu criador - José de Anchieta

Em Deus, meu criador


Não há causa segura.
Tudo quanto se vê
se vai passando.
A vida não tem dura.
O bem se vai gastando.
Toda criatura
passa voando.

Em Deus, meu criador,
está todo meu bem
e esperança,
meu gosto e meu amor
e bem-aventurança.
Quem serve a tal Senhor
não faz mudança.

Contente assim, minha alma,
do doce amor de Deus
toda ferida,
o mundo deixa em calma,
buscando a outra vida,
na qual deseja ser
toda absorvida.

Do pé do sacro monte
meus olhos levantando
ao alto cume,
vi estar aberta a fonte
do verdadeiro lume,
que as trevas do meu peito
todas consume.

Correm doces licores
das grandes aberturas
do penedo.
Levantam-se os errores,
levanta-se o degredo
e tira-se a amargura
do fruto azedo!


José de Anchieta, Poesia, Rio de Janeiro, Agir.

A Santa Inês - José de Anchieta

A Santa Inês


Cordeirinha linda,
como folga o povo
porque vossa vinda
lhe dá lume novo!

Cordeirinha santa,
de Jesus querida,
vossa santa vinda
o diabo espanta

Por isso vos canta,
com prazer, o povo,
porque vossa vinda
lhe dá lume novo.

Nossa culpa escura
fugirá depressa,
pois vossa cabeça
vem com luz tão pura.

Vossa formosura
honra é do povo,
porque vossa vinda
lhe dá lume novo.
................................

José de Anchieta, Poesia, Rio de Janeiro, Agir.


Cântico negro - José Régio

Cântico negro


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...


A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha Mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.


Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.


Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!



José Régio, Poemas de Deus e do Diabo, Lisboa, Portugália.

Deus lhe pague - Chico Buarque de Holanda

Deus lhe pague


Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague



Chico Buarque de Holanda. In Chico Buarque, São Paulo, Abril. (Literatura Comentada)

Poética - Manuel Bandeira

Poética

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Manuel Bandeira, Poesia completa e prosa, Rio de Janeiro, Aguilar.

Consoada - Manuel Bandeira

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou coroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
-Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


Manuel Bandeira, Poesia completa e prosa, Rio de Janeiro, Aguilar.

Vou-me embora pra Pasárgada - Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.



Manuel Bandeira, Poesia completa e prosa, Rio de Janeiro, Aguilar.

Profundamente - Manuel Bandeira

Profundamente


Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.

No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?

— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente.


Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.



Manuel Bandeira, Poesia completa e prosa, Rio de Janeiro, Aguilar.

Poema de finados - Manuel Bandeira

Poema de finados


Amanhã que é dia dos mortos
Vai ao cemitério. Vai
E procura entre as sepulturas
A sepultura de meu pai.

Leva três rosas bem bonitas.
Ajoelha e reza uma oração.
Não pelo pai, mas pelo filho:
O filho tem mais precisão.

O que resta de mim na vida
É a amargura do que sofri.
Pois nada quero, nada espero.
E em verdade estou morto ali.


Manuel Bandeira, Poesia completa e prosa, Rio de Janeiro, Aguilar.

Soidão - Oswald de Andrade

Soidão
À memória de meu pai

Chove chuva choverando
Que a cidade de meu bem
Está-se toda se lavando

Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm

Chove chuva choverando
Que o jardim de meu bem
Está-se todo enfeitando

A chuva cai
Cai de bruços
A magnólia abre a parachuva
Parassol da cidade
De Mário de Andrade
A chuva cai
Escorre das goteiras do domingo

Chove chuva choverando
Que a casa de meu bem
Está-se toda se molhando

Anoitece sobre os jardins
Jardim da Luz
Jardim da Praça da República
Jardins das platibandas

Noite
Noite de hotel
Chove chuva choverando.


Oswald de Andrade. In Antonio Candido e José Aderaldo Castello, Presença da literatura brasileira, São Paulo, Difel,v.3.

Relógio - Oswald de Andrade

Relógio

As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
As horas
Vão e vêm
Não em vão


Oswald de Andrade, Trechos escolhidos, Rio de Janeiro, Agir.

Ode ao burguês - Mário de Andrade

Ode ao burguês


Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!


Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os "Printemps" com as unhas!


Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o èxtase fará sempre Sol!


Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais!
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
"–Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
–Um colar... –Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!"


Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante


Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!


Fora! Fu! Fora o bom burgês!...


Mário de Andrade, Poesias completas, São Paulo, Círculo do Livro.

Os cortejos - Mário de Andrade

Os cortejos

Monotonias das minhas retinas...
Serpentinas de entes frementes a se
                                     desenrolar...
Todos os sempres das minhas visões!
                             "Bon giorno, caro."

Horríveis as cidades!
Vaidades e mais vaidades...
Nada de asas! Nada de poesia! Nada de
                                                   alegria!
Oh! os tumultuários das ausências!
Paulicéia - a grande boca de mil dentes;

e os jorros dentre a língua trissulca
de pus e de mais pus de distinção...
Giram homens fracos, baixos, magros...
Serpentinas de entes frementes a se desenrolar...

Estes homens de São Paulo,
todos iguais e desiguais,
quando vivem dentro dos meus olhos tão
                                                         ricos,
parecem-me uns macacos, uns macacos.


Mário de Andrade, Poesias completas, São Paulo, Círculo do Livro.

Nascer - Carlos Drummond de Andrade

Nascer


        O filho já tinha nome, enxoval, brinquedo e destino traçado. Era João, como o pai, e como aconselhavam a devoção e a pobreza. Enxoval e brinquedo de pobre, comprados com a antecedência que caracteriza não os previdentes, mas os sonhadores. E destino, para não dizer profissão, era o de pedreiro, curial ambição do pai, que, embora na casa dos 30, trabalhava ainda de servente.
        Tudo isso o menino tinha, mas não havia nascido. Eles nascem antes, nascem no momento em que se anunciam, quando há realmente desejo de que venham ao mundo. O parto apenas dá forma a uma realidade que já funcionava. Para João mais velho, João mais moço era uma companhia tão patente quanto os colegas da obra, e muito mais ainda, pois quando se separavam ao toque da sineta, os colegas deixavam por assim dizer de existir; cada um se afundava na sua insignificância, ao passo que o menino ia escondido naquele trem do Realengo, e eram longas conversas entre João e João, e João miúdo adquiria ainda maior consistência ao chegarem em casa, quando a mãe, trazendo-o no ventre, contudo o esperava e recebia das mãos do pai, que de madrugada o levara para a obra.
        Essas imaginações, ditas assim, parecem sutis; não havia sutileza alguma em João e sua mulher: Nem o casal percebia bem que o garoto rodava entre os dois como um ser vivo; pensavam simplesmente nele, muito, e confiados, e de tanto ser pensado João existiu, sorriu, brincou na si mplicidade de ambos. Como alguém que, na certeza de um grande negócio, vai pedindo emprestado e gastando tranquilamente, João e a mulher sacavam a legrias futuras. João sentia-se forte, responsável. Escolhera o sexo e a profissão do filho; a mulher escolhera a CD 1; um moreno claro, cabelo bem liso, olhos sinceros. Não havia nada de extraordinário no menino, era apenas a soma dos dois passada a limpo, com capricho.
        Esperar tantos meses foi fácil. O menino já tomava muita parte na vida deles, nascer era mais uma formalidade. Chegou março, com um tempo feio à noite, que ameaçava carregar o barraco. A mulher de João acordou assustada, sentindo dores. Pela madrugada, correram à estação; a chuva passara, mas o trem de Campo Grande não chegava, e João sem poder mexer-se. As dores continuavam, João levou tempo para pegar uma carona de caminhão.
        Na maternidade não havia médico nem enfermeira que o temporal tinha retido longe. João perdera o dia de serviço e esperou, determinado. Afinal, levaram a mulher para uma sala onde cinco outras gemiam e faziam força. João não viu mais nada, ficou banzando no corredor. Entardecia, quando a porta se abriu e a enfermeira lhe disse que o parto fora complicado mas agora tudo estava em ordem, a criança na incubadora. "Posso ver?" "Depois o senhor vê. Amanhã." Amanhã era dia de pagamento, não podia faltar à obra. Voltaria domingo.
        Mas no dia seguinte, à hora do almoço, telefonou, uma complicação, não se ouvia nada, alguém da secretaria foi indagar; respondeu que tudo ia bem, ficasse descansado.
        Domingo pela manhã, João se preparava para sair; quando a ambulância silvou à porta, e dela desceu, amparada, a mulher de João. "O menino?" "Diz que morreu na incubadora, João." "E era mesmo como a gente pensava, moreninho, engraçado?" Ela baixou a cabeça. "Não sei, João. Não vi. Eu estava passando mal, eles não me mostraram".
        E o menino, que tinha sido tanto tempo, deixou de repente de ser.


Carlos Drummond de Andrade, Seleta em prosa e verso, Rio de Janeiro, J. Olympio.

Mulher proletária - Jorge de Lima

Mulher proletária


Mulher proletária - única fábrica
que o operário tem (fabrica filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.

Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar o teu proprietário.


Jorge de Lima, Poesia, Rio de Janeiro, Agir.

Soneto da hora final - Vinicius de Moraes

Soneto da hora final


Será assim, amiga: um certo dia
Estando nós a contemplar o poente
Sentiremos no rosto, de repente
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente
E eu te olharei também com nostalgia
E partiremos, tontos de poesia
Para a porta de treva aberta em frente

Ao transpor as fronteiras do Segredo
Eu, calmo, te direi: - Não tenhas medo
E tu, tranquila, me dirás: - Sê forte.

E como dois antigos namorados
Noturnamente tristes e enlaçados
Nós entraremos nos jardins da morte.


Vinicius de Moraes, Poesia completa e prosa, Rio de Janeiro Nova Aguilar.

O verbo no infinito - Vinicius de Moraes

O verbo no infinito


Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer,
Respirar, e chorar, e acormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...


Vinicius de Moraes, Poesia completa e prosa, Rio de Janeiro, Nova Aguilar.

Soneto de carnaval - Vinicius de Moraes

Soneto de carnaval


Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim

De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranquila ela sabe, e eu sei tranquilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.


Vinicius de Moraes, Antologia poética, Rio de Janeiro, J. Olympio.

O tempo no jardim - Cecília Meireles

O tempo no jardim


Nestes jardins -  há vinte anos - andaram os nossos muitos passos,
e aqueles que então éramos se contemplaram nestes lagos.

Se algum de nós avistasse o que seríamos com o tempo,
todos nós choraríamos, de mútua pena e susto imenso.

E assim nos separamos, suspirando dias futuros,
e nenhum se atrevia a desvelar seus próprios mundos.

E agora que separados vivemos o que foi vivido,
com doce amor choramos quem fomos nesse tempo antigo.


Cecília Meireles, Seleta em prosa e verso, Rio de Janeiro, J. Olympio.

Canção - Cecília Meireles

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sono naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Cecília Meireles, Poesia, Rio de Janeiro, Agir.

Crucifixo de Ouro Preto - Murilo Mendes

Crucifixo e Ouro Preto

Crucifixo, fixo fixo
Crucifixo, Deus parado
Para eu poder te fixar,
Deus ocluso na tua cruz,
Entre mim e ti, ó Deus,
Quantas vezes dou a volta,
Quantos olhares, angústias,
Súplicas mudas, silêncios,
Falta de jeito e aridez,
Crucifixo fixo, fixo,
Cristo roxo da paixão,
Transpassado, transfixado,
Chegado, esbofeteado,
Escarrado; abandonado
Pelo Pai de compaixão,
Crucifixo fixo fixo,
Deus fixado por amor,
Deus humano, Deus divino,
Deus ocluso na tua cruz,
Crucifixo fixo fixo,
Nosso irmão Cristo Jesus.


in Murilo Mendes, Petrópolis, Vozes.

Maria Pintada de Prata - Dalton Trevisan

Maria Pintada de Prata


        Grandalhão, voz retumbante, é adorado pelos filhos. João não vive bem com Maria ambiciosa, quer enfeitar a casa de brincos e tetéias. Ele ganha pouco, mal pode com os gastos mínimos. Economiza um dinheirinho, lá se foi com a asma do guri, um dente de ouro da mulher. Ela não menos trabalhadeira: faz todo o serviço, engoma a roupinha dos meninos, costura as camisas do marido. Inconformada porém da sorte, humilhando o homem na presença da sogra.
Para não discutir ele apanha o chapéu, bate a porta, bebe no boteco. Um dos pequenos lhe agarra a ponta do paletó:
        — Não vá, pai. Por favor, paizinho.
        Comove-se de ser chamado Paizinho. Relutante, volta-se para a fulana: em cada olho um grito castanho de ódio.
        — O paizinho vai dar uma volta.
       Tão grande e forte, embriaga-se fácil com alguns cálices. Estado lastimável, atropelando as palavras, é o palhaço do botequim. E, pior que tudo, sente-se desgraçado, quer o conchego do corpo gostoso da mulher.
        Mais discutem, mais ele bebe e falta dinheiro em casa. Maria se emboneca, muito pintada e gasta pelos trabalhos caseiros. Desespero de João e escândalo das famílias, a pobre senhora, feia e nariguda, canta no tanque e diante do espelho as mil marchinhas de carnaval. Os filhos largados na rua, ocupada em depilar sobrancelha e encurtar a saia — no braço o riso de pulseiras baratas.
         Com uma vizinha de má fama inscreve-se no programa de calouro:
         — Sou artista exclusiva — ufana-se, com sotaque pernóstico. — A féria é gorda!
        Aos colegas de rádio oferece salgadinhos e cerveja. João escapole pelos fundos, envergonhado da barba por fazer. Volta bêbado e Maria tranca a porta do quarto, obrigado a dormir no sofá da sala. Noite de inverno, o filho mais velho, ao escutá-lo gemer, traz um cobertor:
        — Durma, paizinho.
        A cada sucesso de Maria — o quinto prêmio da marchinha, o retrato no jornal, a carta com pedido de autógrafo:
        — Ela ainda recebe uma vaia — é o comentário de João. - Com uma boa vaia ela aprende!
        Ó não — essa aí quem é de cabelo oxigenado? Acompanhada a casa, horas mortas, pelo parceiro de vida artística. Ora o cantor de tangos, ora o mágico de ciências ocultas. Demora-se aos beijos na porta e as mães proíbem as crianças de brincar com os dois meninos. João sabe que é o fim — dona casada que tinge o cabelo não é séria. Vai dormir no puxado da lenha, encolhido na enxerga imunda, a garrafa na mão.
        Dois dias fechado (assusta-lhe a própria força e jamais bate nos filhos), urra palavrão e desfere murro na parede. Maria faz as malas e, sem que os pequenos se despeçam de João, muda-se para casa dos pais.
        Lá deixa os meninos e amiga-se com um pianista de clube noturno. Mais uma bailarina, que obriga os clientes a beber. O pianista, vicioso e tísico, toma-lhe o dinheiro e, se a féria não é gorda, ainda apanha.
        Cansada de surra, volta à casa dos pais. Então a velha sai em busca de João e sugere as pazes.
        — Ela que fique onde está. Não quero Maria, nem pintada de prata.
        Despedido da fábrica por embriaguez, sobrevive com biscates. Ao vestir o paletó, da manga surge uma cobra e, aos berros, lança-o no fogo. Aranha cabeluda morde-lhe a nuca; inútil esmagá-la com o sapato, de uma nascem duas e três — enrodilha-se medroso a um canto e esconde nos joelhos a cabeça.
        Domingo recebe a visita dos filhos, enviados pela sogra. Divertem-se no Passeio Público a espiar os macaquinhos. O pai compra amendoim e pipoca, que os três mordiscam deliciados. Afasta-se de mansinho e, atrás de uma árvore, empina a garrafa saliente no bolso traseiro da calça — as mãos cessam de tremer. Os meninos desviam os olhos: sapato furado, calça rasgada, paletó sem botão. Alisando a mão gigantesca:
        — Não, paizinho. Não beba mais, pai.
        Lágrimas correm pelo narigão de cogumelo encarnado. Despede-se com sorriso sem dentes. Na esquina gorgoleja a cachaça até a última gota.
        Em delírio na sarjeta, recolhido três vezes ao hospício. A crise medonha da desintoxicação, solto quinze dias mais tarde. Mal cruza o portão, entra no primeiro boteco.
        Maria cai nos braços do mágico de ciências ocultas e, proibida de cantar com voz tão horrorosa, consola-se no tanque de roupa. Nem o amante nem os velhos querem saber dos piás, internados no asilo de órfãos.
        Cada um aprende seu ofício e, no último domingo do mês, com permissão da freira, vão bem penteadinhos à casa do pai. Ainda deitado, curte a ressaca; com alguns goles sente-se melhor. Os pequenos varrem a casa, acendem o fogo, olhinho irritado pela fumaça. No almoço apresentam café com pão e salame rosa. Sentado na cama, o pai contenta-se em vê-los comer. Sorri em paz, um deles enxuga-lhe o suor frio da testa. Sem coragem de abandoná-lo, os filhos a seu lado durante a noite: fala bobagem, treme da cabeça aos pés, bolhas de escuma espirram no canto da boca.
        Os meninos adormecem, ouvindo o ronco feio do afogado. O maior acorda no meio da noite, vai espiar o pai em sossego, olho branco. Fala com ele, não se mexe. Tem medo e chama o irmão:
        — O paizinho morreu.
        Sem chorar, encolhidos na beira da cama, à escuta dos pardais da manhã.



Dalton Trevisan, 20 contos menores, Rio de Janeiro, Record.